Automação nas bibliotecas e automação com IA

terça-feira, 16 de junho de 2026

 

Biblioteca Central (BCE). Foto: Gabriela Studart


Na sua obra A informática na Biblioteconomia e na documentação o Professor Roberto Barsotti defende que:

Ao dizer automação de biblioteca, queremos dizer automação dos processos técnicos dessa biblioteca. Basicamente, aquisição, emissão de catálogos e/ou índices e circulação. Frequentemente esta automação é confundida com criação e exploração de bases de dados contendo o acervo da biblioteca. Trata-se de coisas distintas, com enfoques e resultados distintos, envolvendo softwares diferentes. (BARSOTTI, 1990, p. 65).


Muitas vezes, ao falarmos de bibliotecas, a maioria tem a visão antiga de um local que guarda documentos de papel. Mas, diante do século da tecnologia, é claro que as bibliotecas evoluíram com o tempo até os tempos atuais, em que existe um acervo de bibliotecas digitais. Foram os hardwares e os softwares eletrônicos que permitiram a criação das Bibliotecas Digitais ou Eletrônicas, como costumam ser chamadas, e assim um crescente aumento de informações.


A produção de documentos textuais alcançou tamanho volume que se tornou impossível para que humanos realizem procedimentos que promovam a utilização de todos estes documentos para atender a suas necessidades informativas. Assim, a automação torna-se uma aliada necessária. 
É notório que os sistemas de gerenciamento de biblioteca são uma realidade consolidada. A tecnologia digital é um recurso essencial tanto na prestação dos serviços aos usuários como para a gestão de acervos e administração interna da instituição que provê acesso às coleções de documentos.
Dentro de uma instituição de ensino, a biblioteca passa a exercer com maior valor e eficiência a sua primordial função educativa: a de disseminadora e núcleo da informação.

Entre os principais processos automatizados em bibliotecas, destacam-se:

  • Indexação: Tradução de um documento em termos documentários/códigos (descritores, palavras-chave e cabeçalhos de assunto), extração de conceitos para determinar os assuntos principais que ele aborda, servindo de apoio à recuperação. A indexação manual tem alto custo e esforço, mas corre o risco de a indexação automática deixar muitas coisas de fora. Em conclusão, a melhor alternativa é avaliar a necessidade do usuário. 
  • Recuperação automática de informações: A recuperação da informação pode ser definida como um conjunto de operações executadas para localizar, dentro da totalidade de informações disponíveis, aquelas realmente relevantes. O sistema deve fornecer a informação no menor tempo possível, quando esta vier a ser solicitada pelo usuário. Softwares de Automação de Bibliotecas: Utilizados para gerenciar acervos físicos e digitais, permitindo a rápida localização via terminal.
  • Classificação: Descreve o conteúdo dos documentos de maneira mais abrangente para facilitar sua recuperação posterior. É intencional, organiza um conjunto de objetos de acordo com suas características comuns. Não é novo o estudo de automatização na classificação, e pessoas de outras áreas já se dedicaram a estudá-la, tornando-se uma área de pesquisa multidisciplinar. Para que os procedimentos de classificação sejam realizados, faz-se necessário que os textos, no formato original, passem por tratamentos que suprimam características sem valor para a classificação, tais como a formatação. Com a automatização dos processos como recuperação da informação, catalogação e indexação, diminui-se o erro causado por humanos. Sistemas de autoatendimento para devolução e empréstimo economizam tempo e tornam o serviço mais rápido e eficaz.


Automação com IA


A Inteligência Artificial é um ramo ou campo da Ciência da Computação. Sua institucionalização tem como marco o ano de 1956, quando matemáticos e cientistas da computação se reuniram no seminário organizado por John McCarthy, no Dartmouth College em Hanover, nos Estados Unidos (Kneusel, 2024; Russell; Norvig, 2022; Taulli,2020). Seu foco é o desenvolvimento de sistemas ou a automação de tarefas, possibilitando que máquinas desempenhem atividades complexas de forma independente (Luger, 2013; Suave, 2024).

É impossível, nos tempos atuais, não se deparar com o uso de IA. Atualmente, reconhece-se que, por causa da automação, alguns temem perder o emprego, ou acham que ela vai exigir um treinamento além de suas capacidades, ou então que vai reduzir suas tarefas a um nível de total desqualificação. Charles B. Warley, Jr. (1989) já discutia os "Sistemas Inteligentes de Bibliotecas" como ferramentas capazes de imitar capacidades humanas de raciocínio e tomada de decisão para automatizar processos. Com isso, ressurge uma preocupação muito antiga de que as máquinas irão substituir ou até mesmo acabar com o trabalho do bibliotecário. Parte desse medo vem da falta de informação sobre a real função do bibliotecário, que vai muito além de organizar livros. É importante saber que a biblioteca é um espaço volátil, sendo mudada por fatores externos, logo a mudança é inevitável.

Para uma CI interessada na realidade da atual geração tecnológica, faz-se necessário que a informação ultrapasse os limites físicos da unidade (GOTTSCHALG-DUQUE, 2016). Assim como já dito, sendo de suma importância o acervo digital, com tantos trabalhos para o bibliotecário se faz necessário o uso de alguma ferramenta que otimize o tempo do profissional, tal ferramenta sendo a IA. Grandes vantagens do uso da inteligência artificial podem ser: aliada para aprimorar a experiência do usuário, fomentar a inovação, aumentar a produtividade organizacional e a eficácia dos serviços, ajudando o bibliotecário a priorizar a interação com o usuário, aprimorando o serviço e proporcionando uma experiência diferenciada no ambiente da unidade de informação.
O alto custo é importante. Usar como um complemento do trabalho, não como substituta. Em síntese, a ferramenta deve ser usada para inclusão, maior eficiência no trabalho e otimizar tempo. Como cientistas da informação, é de suma importância que sejamos mediadores críticos e eduquemos digitalmente os usuários para que tal avanço não se torne uma exclusão e que o uso da tecnologia seja de forma ética, assim promovendo o acesso democrático à informação.


📍Referências Bibliográficas:


BARSOTTI, Roberto. A informática na biblioteconomia e na documentação. São Paulo: Polis, APB, 1990. Disponível em: https://abecin.org.br/wp-content/uploads/2021/03/A-informatica-na-biblioteconomia.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

LYRA, Márcia Cristina de Miranda. Automação de bibliotecas. Recife: Secretaria Executiva de Educação Profissional de Pernambuco, 2017. 38 f. Curso Técnico em Biblioteconomia — Rede e-Tec Brasil. Disponível em: https://sisacad.educacao.pe.gov.br/bibliotecavirtual/bibliotecavirtual/texto/Caderno_de_BIB(Automacao_de_Bibliotecas_2017.1)RDDI.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

ROCHA JUNIOR, Joaquim Morais. Princípios de classificação automática de documentos eletrônicos. 2017. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2017. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22719/1/2017_JoaquimMoraisRochaJunior_tcc.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

VOGEL, Michely Jabala Mamede; PAZOS, Juliana de Mesquita. Classificação Decimal de Dewey: uma análise das regras de construção de notação. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, [S. l.], v. 20, p. 1–22, 2024. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1890. Acesso em: 16 jun. 2026.

GODINHO, Keila Ingrid dos Santos. Inteligência artificial em bibliotecas: Bibliotecária Informativa Automatizada (BIA) da divisão de bibliotecas e documentação da PUC-RIO. 2019. 89 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2019. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/25870/1/2019_KeilaIngriddosSantosGodinho_tcc.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

Postar um comentário