O projeto Bibliodivas e o Fator humano
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Quando você escuta a palavra "automação", o que vem à sua mente? Muitas pessoas ainda pensam apenas em fábricas cheias de robôs gigantes ou até mesmo em cenários de filmes de ficção científica, mas, a automação na prática está muito mais próxima de nós do que imaginamos. Ela não serve para substituir o toque humano, mas sim para libertar as pessoas daquelas tarefas repetitivas e cansativas do cotidiano, permitindo que foquemos no que realmente importa: a estratégia, a criatividade, o atendimento de qualidade e um bom ambiente de trabalho.
O que muda na rotina real? Automatizar na prática significa pegar processos manuais que antes levavam horas e transformá-los em fluxos digitais que acontecem em segundos. Pense comigo, no trabalho de organizar, conferir e registrar dados de forma manual, o risco de um erro humano acontecer é alto, certo? Além do cansaço que é inevitável.
Quando uma ferramenta ou inteligência artificial assume essa parte mecânica, o processo ganha velocidade, os erros despencam e a equipe ganha um tempo precioso para se dedicar a atividades mais complexas.
O avanço e uso dessas tecnologias pretende revolucionar as empresas que adotam práticas de automação. Veja, por exemplo, uma casa com sistema inteligente e automatizado, ela liga as luzes, mantém o local seguro com câmeras que te avisam em seu próprio celular caso algo aconteça, é possível ajustar a temperatura do ambiente e até mesmo criar rotinas em relação aos moradores da casa e seus horários. Tudo isso para transformar tarefas repetitivas em algo mais simples, rápido e prático.
Então, pensando em outro ambiente, veja o caso da biblioteca central da UNB em Brasília. A automação na prática se manifesta de várias formas, como nos sistemas de autoatendimento, onde o próprio estudante pode realizar empréstimos e devoluções de forma rápida, sem filas. E também usam a organização inteligente de acervos, que são softwares que rastreiam, catalogam e localizam volumes em segundos, atualizando o sistema em tempo real.
Outro exemplo de automação na prática é uma esteira de uma fábrica, com seus sensores ópticos ela conta as peças, e ao atingir o limite programado o sistema pausa o mortor automaticamente. Agora pense em como seria trabalhoso se um ser humano estivesse fazendo isso e o tempo que perderia ao fazer a contagem e as demais tarefas.
A automação não é apenas uma questão de modernidade, mas de eficiência. Ela transforma a rotina de trabalho, melhora a experiência de quem utiliza os serviços e gera resultados muito mais precisos. O segredo do sucesso está em unir a precisão da tecnologia com a sensibilidade e a tomada de decisão humana. Sem contar que, melhora a produtividade e o ambiente em que está inserido.
📍 Referências bibliograficas:
BRANDÃO, R.. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, TRABALHO E PRODUTIVIDADE. Revista de Administração de Empresas, v. 60, n. 5, p. 378–379, set. 2020.
Crédito da imagem: freepik
O que é automação em bibliotecas?


Administração e biblioteca
Planejamento orientado por dados
Direção e gestão de pessoas
Controle
- Taxa de circulação do acervo (quantos itens estão emprestados em relação ao total disponível)
- Frequência de usuários ativos
- Tempo médio de processamento técnico de novos itens
- Índice de renovações e reservas
- Materiais com maior e menor índice de consulta
A biblioteca como sistema aberto
Conclusão:
📍 Referências Bibliográficas:
Biblioteca Central (BCE). Foto: Gabriela Studart
Na sua obra A informática na Biblioteconomia e na documentação o Professor Roberto Barsotti defende que:
Ao dizer automação de biblioteca, queremos dizer automação dos processos técnicos dessa biblioteca. Basicamente, aquisição, emissão de catálogos e/ou índices e circulação. Frequentemente esta automação é confundida com criação e exploração de bases de dados contendo o acervo da biblioteca. Trata-se de coisas distintas, com enfoques e resultados distintos, envolvendo softwares diferentes. (BARSOTTI, 1990, p. 65).
- Indexação: Tradução de um documento em termos documentários/códigos (descritores, palavras-chave e cabeçalhos de assunto), extração de conceitos para determinar os assuntos principais que ele aborda, servindo de apoio à recuperação. A indexação manual tem alto custo e esforço, mas corre o risco de a indexação automática deixar muitas coisas de fora. Em conclusão, a melhor alternativa é avaliar a necessidade do usuário.
- Recuperação automática de informações: A recuperação da informação pode ser definida como um conjunto de operações executadas para localizar, dentro da totalidade de informações disponíveis, aquelas realmente relevantes. O sistema deve fornecer a informação no menor tempo possível, quando esta vier a ser solicitada pelo usuário. Softwares de Automação de Bibliotecas: Utilizados para gerenciar acervos físicos e digitais, permitindo a rápida localização via terminal.
- Classificação: Descreve o conteúdo dos documentos de maneira mais abrangente para facilitar sua recuperação posterior. É intencional, organiza um conjunto de objetos de acordo com suas características comuns. Não é novo o estudo de automatização na classificação, e pessoas de outras áreas já se dedicaram a estudá-la, tornando-se uma área de pesquisa multidisciplinar. Para que os procedimentos de classificação sejam realizados, faz-se necessário que os textos, no formato original, passem por tratamentos que suprimam características sem valor para a classificação, tais como a formatação. Com a automatização dos processos como recuperação da informação, catalogação e indexação, diminui-se o erro causado por humanos. Sistemas de autoatendimento para devolução e empréstimo economizam tempo e tornam o serviço mais rápido e eficaz.
Automação com IA
Brasília-DF
Universidade de Brasília
Entrevistadoras: Ana Luísa, Clara Letícia, Cyntia Carla, Isabele Alves e Karine Amorim
Entrevistada: Ana Carolina Simionato Arakaki
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Quando eu me graduei, os sistemas já eram um pouco mais automatizados. Então, quando eu fiz a graduação já existia o catálogo digital e etc, por mais que naquela época a gente ainda trabalhasse com a ficha catalográfica. Também tivemos impactos, porque toda hora o layout muda, a rapidez muda, então algumas coisas que antes precisávamos agora talvez já não precisemos mais, então teve sim uma mudança. Eu sempre lidei com a tecnologia de certa forma, isso desde a graduação, então não tive tanto impacto assim.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Em grande parte das bibliotecas, se formos pensar antes da automação, o bibliotecário tinha várias atividades que se faziam com um tempo maior. Com a automação, esse tempo com certeza reduziu, mas isso não tira o mérito das práticas em si. Em todo momento, a mediação da informação é feita, seja nos catálogos ou nos serviços de referência. Então, a mediação precisa existir, a questão é que hoje a gente tem outras possibilidades para essa mediação. Eu falo muito isso em sala, tem um artigo que marcou o início das LLMs, principalmente em questão de conversação, que é justamente essa necessidade de atenção, de conversa. Então, essas questões ainda estão em falta, essa necessidade de mediação no quesito de entender as nossas necessidades, o que a máquina ainda não faz, mas creio que todo esse processo em si está evoluindo. O bibliotecário tem que se posicionar perante isso, eu vejo bastante densidade do profissional para se definir com essas novas práticas.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A automação querendo ou não é uma economia de tempo, porém ao mesmo tempo não tira a necessidade do ser humano e todo o processo, talvez em algum momento futuramente talvez venha a retirar, mas não sabemos. O ponto principal é a economia, seja a de gastos monetários ou de valorização.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A questão, pelo que eu entendi, é que a gente como docente cada vez mais vai ter que trabalhar com a questão da autonomia e principalmente da consciência do aluno e do usuário, principalmente como profissional da biblioteconomia, eu acho que a gente deveria trabalhar nisso. Pensando nessa questão, nos tornamos um pouco mais preguiçosos. Porque a gente vai, por exemplo, perder tempo no Google pesquisando, sendo que a gente pode ir direto no Chat gpt? Então não tem mais esse tipo de busca, nós não perdemos mais tempo com isso. Então a questão é principalmente essa construção do senso crítico mesmo, de questionar "será que essa informação é confiável?", "será que esse direcionamento é o melhor?”. Então são essas questões que a gente precisa, enquanto docente trabalhar. Tirar proveito dessas tecnologias é inevitável, o que podemos fazer é utilizar da melhor forma possível.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu estou finalizando a graduação de Ciências de Dados, e tenho a graduação já finalizada em Biblioteconomia e Ciência da Informação, mas ao mesmo tempo foi uma escolha por curiosidade. Não quero dizer em momento algum que o bibliotecário tem que ser cientista de dados, nem ir para a área da computação ou área tecnológica, mas se vocês tiverem curiosidade, quero dizer para todos os alunos no geral, vale a pena. Eu acho que deve ter pensamento computacional, sabe? Entender de algoritmo, banco de dados e essas coisas. De verdade, eu sugiro bastante essa formação para entender, por exemplo, em catalogação trabalhamos com modelagem conceitual e como trabalhamos com modelagem conceitual se o aluno não sabe banco de dados ou o mínimo de estrutura, entidade de relacionamento, sabe? Se tivermos um material pedagógico e algumas questões que poderiam estar de alguma forma mais coerentes, isso facilitaria muito a sala de aula. Por exemplo, a FBR como que a gente aplica? Então, eu sugiro pensamento computacional porque tudo é a base de pensamento computacional, a questão de algoritmo e tentar entender como o computador faz as coisas. Pode perceber que eu não estou falando de programação, porque ela vem depois se for uma opção. O básico do pensamento computacional, para entender como as coisas podem funcionar e isso auxilia em alguns processos de lógica, vocabulário e gramática.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A questão da automação na computação é inevitável. Tudo o que puder reduzir o problema e poder deixar isso muito mais tangível é algo muito da computação. “Eu vou trabalhar em uma base de dados” mas eu preciso estar minimamente higienizada com essa base. Então, porque não automatizar esse processo? Ao invés de ser manual, eu automatizo. Logo, eu vejo bastante essa semelhança com a biblioteconomia, cada vez mais a gente vai precisar dessas questões da automatização. Eu estou com um projeto da FACDF e o que está pegando nesse momento é justamente isso, estamos com três milhões de registros e precisamos de alguma forma higienizar eles antes de colocar na base. E vem essa questão "Dá pra fazer três milhões de registros?" se eu fizer, por exemplo, cem por semana isso vai levar uns trezentos anos, então é inviável e eu preciso aprender algumas sequências para automatizar esse processo. Agora no caso, a grande diferença entre Computação e Ciência da Informação, eu vejo que é a questão de atender as necessidades do usuário. Esse é o ponto principal. Pelo que eu já trabalhei com computação, se o sistema está funcionando ou não, a computação não vai ligar. A ciência da informação vem justamente para isso, para proporcionar a experiência do usuário da melhor forma. Entender a necessidade, o que o usuário está precisando, no que ele pode pensar, no que o sistema pode sugerir. Então, o maior exemplo que eu posso dar para vocês, é a questão do catálogo. O catálogo das bibliotecas da forma que estão hoje não atendem os usuários, que estão cada vez mais tecnológicos. O catálogo, por exemplo, de algumas bibliotecas está todo travado, uma aparência da década de 90. Então, a questão do usuário poderia ser muito mais valorizada dentro da computação, mas que bom que sobra campo para nós podermos trabalhar.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Precisa. E no caso as vezes colocamos a biblioteconomia como uma área técnica, mas ela é tudo menos técnica. Ela pode ser técnica em alguns cenários, mas ela precisa olhar para essa abstração, entender a biblioteconomia. A questão epistemológica, das atividades de como gerar a melhor forma de conhecimento, como atender da melhor forma o usuário. Enfim, incrementar cada vez mais, sabe? Então eu vejo muito isso, mais do que a prática somente. Essa questão do raciocínio, de entender e, principalmente, melhorar a área. Essa proatividade, a verdade é essa.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que a relação humana. Toda essa parte de necessidade, o ser humano precisa desse contato e dessa atenção, e não vejo isso com a automatização. Até mesmo porque de alguma forma, essa questão de "Ah vou fazer a mediação" é muito mais gostoso ter alguém te indicando coisas e conversando as melhores possibilidades de trabalho e texto do que a máquina. A máquina vai te indicar algo e pronto acabou, semana que vem você esquece. Mas o ser humano tem essa questão sensorial.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que na verdade precisa viu gente. A gente precisa ter o cuidado com os nossos acervos, mas ao mesmo tempo com a demanda informacional que temos na maneira digital. Acho que a principal questão, é identificar essas práticas, justamente em campos de automação. Então, enquanto a gente não abranger a questão da tecnologia de outras formas e dos acervos digitais também, a gente vai dar brecha para outras ciências, como a Ciência de Dados para elas de fato se construírem. Então coisas que poderiam ser da nossa área de ciências da informação a gente está deixando que outras Ciências levem. Seja em campos de estudo e áreas de pesquisa. Então, correr atrás para defender a nossa área é importante.
[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que a primeira coisa é: ler bastante. Temos diversas fontes de informação dentro da área que poderiam ser mais exploradas pelos alunos. Querendo eu não, acredito que necessidades básicas estão em falta, as questões de leitura, de busca. Às vezes a gente passa um site e o aluno não consegue procurar. Então, porque assim, é uma competência. Eu não consigo, assim como docente, fazer isso. É o despertar do aluno como curiosidade, sabe?
