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Sobre o Projeto

terça-feira, 16 de junho de 2026

 

Créditos: freepik

O projeto Bibliodivas e o Fator humano


O projeto BiblioDivas fundamenta-se na ideia de que a inteligência da biblioteca não reside apenas no software, mas na sinergia entre ferramentas tecnológicas e usuários bem informados. A proposta define a biblioteca como um organismo vivo que adota a IA de forma assistida e não romantizada.

A inovação proposta pela equipe busca unir os princípios da administração à ciência da informação para criar sistemas que facilitem a organização de dados complexos e tarefas repetitivas, mantendo o bibliotecário como o mediador essencial. O diferencial ético está na capacidade da biblioteca em não apenas oferecer tecnologia, mas garantir que o acesso à informação permaneça democrático, humano e inclusivo.

O projeto demonstra como os conceitos da administração podem estar ligados à Ciência da Informação, usando, por meio disso, a automação e a inteligência artificial em bibliotecas. Se forem analisar, existe uma relação com a escola clássica na busca pela eficiência, padronização e racionalização dos processos, mas queremos aplicar tudo isso sem deixar de lado o "lado humano".

A escola das relações humanas está presente quando o projeto destaca que a IA deve trabalhar com o bibliotecário, e não como uma substituta do seu trabalho. Como futuras bibliotecárias, prezamos pela mediação da informação, a inclusão digital e a preocupação com os usuários e tudo isso nada mais é do que (em uma linguagem administrativa): demonstrar a valorização das pessoas dentro das organizações.

O projeto propõe uma análise usando algo inovador que une gestão, tecnologia e responsabilidade social a fim de aprimorar os serviços das bibliotecas.

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Automação na Prática: Como a tecnologia transforma o nosso dia a dia


créditos da imagem: FRIEDRICH SAURER / SCIENCE PHOTO LIBRARY


Quando você escuta a palavra "automação", o que vem à sua mente? Muitas pessoas ainda pensam apenas em fábricas cheias de robôs gigantes ou até mesmo em cenários de filmes de ficção científica, mas, a automação na prática está muito mais próxima de nós do que imaginamos. Ela não serve para substituir o toque humano, mas sim para libertar as pessoas daquelas tarefas repetitivas e cansativas do cotidiano, permitindo que foquemos no que realmente importa: a estratégia, a criatividade, o atendimento de qualidade e um bom ambiente de trabalho.


O que muda na rotina real? Automatizar na prática significa pegar processos manuais que antes levavam horas e transformá-los em fluxos digitais que acontecem em segundos. Pense comigo, no trabalho de organizar, conferir e registrar dados de forma manual, o risco de um erro humano acontecer é alto, certo? Além do cansaço que é inevitável. 

Quando uma ferramenta ou inteligência artificial assume essa parte mecânica, o processo ganha velocidade, os erros despencam e a equipe ganha um tempo precioso para se dedicar a atividades mais complexas.


O avanço e uso dessas tecnologias pretende revolucionar as empresas que adotam práticas de automação. Veja, por exemplo, uma casa com sistema inteligente e automatizado, ela liga as luzes, mantém o local seguro com câmeras que te avisam em seu próprio celular caso algo aconteça, é possível ajustar a temperatura do ambiente e até mesmo criar rotinas em relação aos moradores da casa e seus horários. Tudo isso para transformar tarefas repetitivas em algo mais simples, rápido e prático.


Então, pensando em outro ambiente, veja o caso da biblioteca central da UNB em Brasília. A automação na prática se manifesta de várias formas, como nos sistemas de autoatendimento, onde o próprio estudante pode realizar empréstimos e devoluções de forma rápida, sem filas. E também usam a organização inteligente de acervos, que são softwares que rastreiam, catalogam e localizam volumes em segundos, atualizando o sistema em tempo real.

Outro exemplo de automação na prática é uma esteira de uma fábrica, com seus sensores ópticos ela conta as peças, e ao atingir o limite programado o sistema pausa o mortor automaticamente. Agora pense em como seria trabalhoso se um ser humano estivesse fazendo isso e o tempo que perderia ao fazer a contagem e as demais tarefas.


A automação não é apenas uma questão de modernidade, mas de eficiência. Ela transforma a rotina de trabalho, melhora a experiência de quem utiliza os serviços e gera resultados muito mais precisos. O segredo do sucesso está em unir a precisão da tecnologia com a sensibilidade e a tomada de decisão humana. Sem contar que, melhora a produtividade e o ambiente em que está inserido.


📍 Referências bibliograficas: 


BRANDÃO, R.. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, TRABALHO E PRODUTIVIDADE. Revista de Administração de Empresas, v. 60, n. 5, p. 378–379, set. 2020.


O Impacto das Tecnologias de Automação no Cotidiano. Guiaderodas, 2025. Disponível em: https://guiaderodas.com/impacto-automacao-cotidiano/. Acesso em: 16 jun. 2026
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Automação de Bibliotecas: O ponto de vista da administração


Crédito da imagem: freepik

O que é automação em bibliotecas?


No contexto da biblioteconomia, automação significa usar sistemas de informação para realizar, de forma mais rápida e precisa, processos que antes eram feitos manualmente: catalogar livros, controlar empréstimos e devoluções, gerenciar o acervo, emitir notificações para usuários e produzir relatórios gerenciais.



No Brasil, os sistemas mais utilizados são o Pergamum (desenvolvido pela PUC-PR), o Sophia e o software livre Koha, adotado em diversas universidades federais e bibliotecas públicas. Essas ferramentas são chamadas de SIGBs (Sistemas Integrados de Gestão de Bibliotecas) e funcionam conectando todos os seus processos em uma única plataforma.


Administração e biblioteca


Para entender o impacto da automação, precisamos primeiro olhar para a biblioteca como ela é: uma organização. E como toda organização, ela precisa ser planejada, estruturada, dirigida e controlada.

Essa lógica vem de Henri Fayol (1841–1925), engenheiro e teórico francês considerado um dos pais da Administração moderna. Fayol definiu as cinco funções clássicas do administrador: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Décadas depois, essa formulação foi simplificada para as quatro funções que estudamos hoje: planejamento, organização, direção e controle.

Planejamento orientado por dados


Planejar bem exige informação confiável. Em uma biblioteca sem automação, saber quantos livros foram emprestados ou quais assuntos são mais procurados pelos usuários pode exigir horas de levantamento manual, quando é possível. Com um SIGB, esses dados estão disponíveis em poucos cliques.

Isso nos aproxima de um conceito muito relevante na gestão contemporânea: a administração baseada em evidências, popularizada por Jeffrey Pfeffer e Robert Sutton. A ideia é simples: decisões tomadas com base em dados reais produzem resultados muito melhores do que aquelas baseadas em intuição.

Na prática, isso significa que o gestor pode identificar quais coleções estão obsoletas, quais áreas do conhecimento têm alta demanda e onde concentrar o orçamento de aquisição, que no serviço público, é sempre escasso.

Direção e gestão de pessoas


Um dos impactos mais profundos da automação está na gestão da equipe. Quando tarefas repetitivas, como registrar empréstimos manualmente, enviar notificações de prazo ou organizar fichas catalográficas são assumidas pelo sistema, os profissionais ficam livres para atuar naquilo que realmente exige julgamento humano: a mediação da informação, o atendimento especializado, o letramento informacional e a curadoria de conteúdo digital.

Isso está em sintonia com a Abordagem Comportamental da Administração, que tem em Abraham Maslow (1908–1970) como um de seus principais referenciais. Maslow demonstrou que as pessoas buscam satisfazer necessidades em níveis crescentes e que o trabalho pode ser fonte de crescimento pessoal quando oferece desafio e significado.  Um bibliotecário engajado em atividades criativas e de impacto social tende a ser mais motivado e produtivo do que aquele confinado a tarefas mecânicas.

Mais recentemente, a Gestão por Competências reforça esse argumento: alocar pessoas em funções que desenvolvam e utilizem suas competências estratégicas é um diferencial. A automação cria as condições para isso.

Controle


A frase atribuída a Peter Drucker "o que não é medido não pode ser gerenciado" resume bem o papel do controle na administração. E é exatamente aqui que a automação mostra um de seus maiores valores.

Com um SIGB, o gestor de uma biblioteca pode acompanhar em tempo real indicadores como:

  • Taxa de circulação do acervo (quantos itens estão emprestados em relação ao total disponível)
  • Frequência de usuários ativos
  • Tempo médio de processamento técnico de novos itens
  • Índice de renovações e reservas
  • Materiais com maior e menor índice de consulta

Esses indicadores alimentam o PODC (Planejamento, Organização, Direção e Controle), metodologia de melhoria contínua desenvolvida por W. Edwards Deming (1900–1993) e amplamente utilizada na gestão da qualidade. Na biblioteca, o ciclo funciona assim: planeja-se uma política de aquisição, executa-se, verifica-se o impacto nos dados de circulação e ajusta-se a estratégia conforme os resultados.

A biblioteca como sistema aberto


Outro referencial teórico fundamental para compreender a biblioteca automatizada é a Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida por Ludwig von Bertalanffy (1901–1972) e incorporada à administração por autores como Katz e Kahn (1966). Segundo essa visão, uma organização é um sistema aberto que recebe insumos do ambiente (usuários, recursos, demandas), processa-os internamente e devolve resultados ao ambiente (serviços, conhecimento acessível, impacto social).

A automação fortalece cada um desses subsistemas: o de processamento técnico do acervo, o de atendimento ao usuário e o de gestão administrativa. Ao integrar esses subsistemas em uma única plataforma, a biblioteca se torna mais coesa, adaptável e resiliente, características essenciais para uma organização que precisa responder às mudanças rápidas no comportamento informacional da sociedade.

Conclusão:


A automação não transforma uma biblioteca em algo frio ou impessoal. Quando bem implementada, ela libera a biblioteca para ser mais humana, mais ágil e mais relevante.

Do ponto de vista da administração, a automação é um meio para atingir fins organizacionais mais elevados: melhor planejamento, processos mais eficientes, equipes mais motivadas e controle mais preciso dos resultados. Das ideias de Fayol sobre as funções gerenciais à visão sistêmica de Bertalanffy, passando pela ênfase nas pessoas de Elton Mayo e na melhoria contínua de Deming, as grandes teorias da administração apontam todas para a mesma direção: gerir bem é combinar estrutura, pessoas e informação de forma inteligente.

A biblioteca que automatiza seus processos não está apenas comprando um software. Está investindo em sua capacidade de cumprir a missão mais fundamental de qualquer instituição do conhecimento: garantir que a informação certa chegue à pessoa certa, no momento certo.

📍 Referências Bibliográficas:


VALENTIM, Marta Lígia Pomim (org.). Gestão da Informação e do Conhecimento no Âmbito da Ciência da Informação. São Paulo: Polis; Cultura Acadêmica, 2008.

SOBRAL, Filipe João Bera de Azevedo; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. 2. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2013.

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Automação nas bibliotecas e automação com IA

 

Biblioteca Central (BCE). Foto: Gabriela Studart


Na sua obra A informática na Biblioteconomia e na documentação o Professor Roberto Barsotti defende que:

Ao dizer automação de biblioteca, queremos dizer automação dos processos técnicos dessa biblioteca. Basicamente, aquisição, emissão de catálogos e/ou índices e circulação. Frequentemente esta automação é confundida com criação e exploração de bases de dados contendo o acervo da biblioteca. Trata-se de coisas distintas, com enfoques e resultados distintos, envolvendo softwares diferentes. (BARSOTTI, 1990, p. 65).


Muitas vezes, ao falarmos de bibliotecas, a maioria tem a visão antiga de um local que guarda documentos de papel. Mas, diante do século da tecnologia, é claro que as bibliotecas evoluíram com o tempo até os tempos atuais, em que existe um acervo de bibliotecas digitais. Foram os hardwares e os softwares eletrônicos que permitiram a criação das Bibliotecas Digitais ou Eletrônicas, como costumam ser chamadas, e assim um crescente aumento de informações.


A produção de documentos textuais alcançou tamanho volume que se tornou impossível para que humanos realizem procedimentos que promovam a utilização de todos estes documentos para atender a suas necessidades informativas. Assim, a automação torna-se uma aliada necessária. 
É notório que os sistemas de gerenciamento de biblioteca são uma realidade consolidada. A tecnologia digital é um recurso essencial tanto na prestação dos serviços aos usuários como para a gestão de acervos e administração interna da instituição que provê acesso às coleções de documentos.
Dentro de uma instituição de ensino, a biblioteca passa a exercer com maior valor e eficiência a sua primordial função educativa: a de disseminadora e núcleo da informação.

Entre os principais processos automatizados em bibliotecas, destacam-se:

  • Indexação: Tradução de um documento em termos documentários/códigos (descritores, palavras-chave e cabeçalhos de assunto), extração de conceitos para determinar os assuntos principais que ele aborda, servindo de apoio à recuperação. A indexação manual tem alto custo e esforço, mas corre o risco de a indexação automática deixar muitas coisas de fora. Em conclusão, a melhor alternativa é avaliar a necessidade do usuário. 
  • Recuperação automática de informações: A recuperação da informação pode ser definida como um conjunto de operações executadas para localizar, dentro da totalidade de informações disponíveis, aquelas realmente relevantes. O sistema deve fornecer a informação no menor tempo possível, quando esta vier a ser solicitada pelo usuário. Softwares de Automação de Bibliotecas: Utilizados para gerenciar acervos físicos e digitais, permitindo a rápida localização via terminal.
  • Classificação: Descreve o conteúdo dos documentos de maneira mais abrangente para facilitar sua recuperação posterior. É intencional, organiza um conjunto de objetos de acordo com suas características comuns. Não é novo o estudo de automatização na classificação, e pessoas de outras áreas já se dedicaram a estudá-la, tornando-se uma área de pesquisa multidisciplinar. Para que os procedimentos de classificação sejam realizados, faz-se necessário que os textos, no formato original, passem por tratamentos que suprimam características sem valor para a classificação, tais como a formatação. Com a automatização dos processos como recuperação da informação, catalogação e indexação, diminui-se o erro causado por humanos. Sistemas de autoatendimento para devolução e empréstimo economizam tempo e tornam o serviço mais rápido e eficaz.


Automação com IA


A Inteligência Artificial é um ramo ou campo da Ciência da Computação. Sua institucionalização tem como marco o ano de 1956, quando matemáticos e cientistas da computação se reuniram no seminário organizado por John McCarthy, no Dartmouth College em Hanover, nos Estados Unidos (Kneusel, 2024; Russell; Norvig, 2022; Taulli,2020). Seu foco é o desenvolvimento de sistemas ou a automação de tarefas, possibilitando que máquinas desempenhem atividades complexas de forma independente (Luger, 2013; Suave, 2024).

É impossível, nos tempos atuais, não se deparar com o uso de IA. Atualmente, reconhece-se que, por causa da automação, alguns temem perder o emprego, ou acham que ela vai exigir um treinamento além de suas capacidades, ou então que vai reduzir suas tarefas a um nível de total desqualificação. Charles B. Warley, Jr. (1989) já discutia os "Sistemas Inteligentes de Bibliotecas" como ferramentas capazes de imitar capacidades humanas de raciocínio e tomada de decisão para automatizar processos. Com isso, ressurge uma preocupação muito antiga de que as máquinas irão substituir ou até mesmo acabar com o trabalho do bibliotecário. Parte desse medo vem da falta de informação sobre a real função do bibliotecário, que vai muito além de organizar livros. É importante saber que a biblioteca é um espaço volátil, sendo mudada por fatores externos, logo a mudança é inevitável.

Para uma CI interessada na realidade da atual geração tecnológica, faz-se necessário que a informação ultrapasse os limites físicos da unidade (GOTTSCHALG-DUQUE, 2016). Assim como já dito, sendo de suma importância o acervo digital, com tantos trabalhos para o bibliotecário se faz necessário o uso de alguma ferramenta que otimize o tempo do profissional, tal ferramenta sendo a IA. Grandes vantagens do uso da inteligência artificial podem ser: aliada para aprimorar a experiência do usuário, fomentar a inovação, aumentar a produtividade organizacional e a eficácia dos serviços, ajudando o bibliotecário a priorizar a interação com o usuário, aprimorando o serviço e proporcionando uma experiência diferenciada no ambiente da unidade de informação.
O alto custo é importante. Usar como um complemento do trabalho, não como substituta. Em síntese, a ferramenta deve ser usada para inclusão, maior eficiência no trabalho e otimizar tempo. Como cientistas da informação, é de suma importância que sejamos mediadores críticos e eduquemos digitalmente os usuários para que tal avanço não se torne uma exclusão e que o uso da tecnologia seja de forma ética, assim promovendo o acesso democrático à informação.


📍Referências Bibliográficas:


BARSOTTI, Roberto. A informática na biblioteconomia e na documentação. São Paulo: Polis, APB, 1990. Disponível em: https://abecin.org.br/wp-content/uploads/2021/03/A-informatica-na-biblioteconomia.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

LYRA, Márcia Cristina de Miranda. Automação de bibliotecas. Recife: Secretaria Executiva de Educação Profissional de Pernambuco, 2017. 38 f. Curso Técnico em Biblioteconomia — Rede e-Tec Brasil. Disponível em: https://sisacad.educacao.pe.gov.br/bibliotecavirtual/bibliotecavirtual/texto/Caderno_de_BIB(Automacao_de_Bibliotecas_2017.1)RDDI.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

ROCHA JUNIOR, Joaquim Morais. Princípios de classificação automática de documentos eletrônicos. 2017. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2017. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22719/1/2017_JoaquimMoraisRochaJunior_tcc.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.

VOGEL, Michely Jabala Mamede; PAZOS, Juliana de Mesquita. Classificação Decimal de Dewey: uma análise das regras de construção de notação. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, [S. l.], v. 20, p. 1–22, 2024. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1890. Acesso em: 16 jun. 2026.

GODINHO, Keila Ingrid dos Santos. Inteligência artificial em bibliotecas: Bibliotecária Informativa Automatizada (BIA) da divisão de bibliotecas e documentação da PUC-RIO. 2019. 89 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2019. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/25870/1/2019_KeilaIngriddosSantosGodinho_tcc.pdf. Acesso em: 16 jun. 2026.
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A automação na BCE

 


Na inauguração, reitora Márcia Abrahão anunciou futuro investimento em recuperação de estruturas da BCE.

Créditos da foto: Unb Notícias


A Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília foi inaugurada oficialmente em 1973. Entretanto, os estudos de automação tiveram início em 1967. Segundo os relatórios de atividades da época, propostas de desenvolvimento em cada setor da biblioteca eram discutidas, mas nunca levadas á frente de fato.


Após sua instalação definitiva no prédio próximo à reitoria, a biblioteca constituiu a Comissão Consultiva da BCE (nº 031/78, de 15/8/78) focada em desenvolver um sistema de automação para simplificar os processos internos. Durante a década de 80, o Sistema Automatizado de Controle Bibliográfico da Biblioteca Central da UnB (BCE 020) foi criado. O sistema foi responsável por incluir o uso de computador para gerenciar a aquisição, o processamento técnico e melhorar o controle do acervo. Sendo assim, apenas a consulta do catálogo era realizada de forma não automatizada. Esse sistema permaneceu sendo usado até a década de 90, quando foi trocado pelo sistema Thesaurus e foi considerado um precursor na automação do controle bibliográfico.


Atualmente, a Biblioteca Central utiliza um novo sistema de radiofrequência (RFID) que permite o controle do acervo. A tecnologia permite a identificação instantânea dos itens do acervo via sinal de rádio e consiste apenas em aproximar o material catalogado pela BCE na máquina para haver reconhecimento e facilitar o processo para o usuário e os funcionários.



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Lembrando que, antes dessa automatização, o processo era feito por um método magnético, onde o empréstimo exigia um procedimento manual de desmagnetização dos livros escolhidos pelo usuário. Sem esse processo, um alerta era acionado em qualquer uma das saídas do prédio.
Já com esse novo sistema de radiofrequência, o usuário consegue colocar vários livros de uma única vez, um em cima do outro, para que o scanner leia todos de uma vez. Mas, não apenas isso, a devolução funciona da mesma forma, evitando que o usuário coloque um livro por vez.


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Além disso, também contém um armário inteligente, onde o usuário pode reservar um determinado item no Pergamum (Sistema digital) e retirá-lo por conta própria. O scanner de autoatendimento tem o objetivo de digitalizar os documentos que o usuário necessita, e o sistema de autodevolução de livros possibilita que as obras sejam devolvidas de forma rápida. O sistema adotado pela Biblioteca Central da UnB permite agilidade nos processos administrativos dentro da biblioteca e gera autonomia para alunos, docentes e usuários de fora.


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A BCE não apenas melhorou o ambiente da biblioteca com a praticidade, mas melhorou a qualidade do atendimento com essa automação.

📍 Referências bibliográficas:  


ARAÚJO, Juliana Baptistone de. A automação da Biblioteca Central da Universidade de Brasília: uma mudança de paradigmas e rotinas de trabalho (1967-1999). 2014. 79 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade de Brasilia, Brasilia, 2014. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/8633/1/2014_JulianaBaptistonedeAraujo.pdf

GOMES, Henrique. BCE inaugura sistema de automação de processos. UnB Notícias, 2020. Disponível em: https://noticias.unb.br/76-institucional/4307-bce-inaugura-novo-sistema-de-emprestimos-e-devolucao. Acesso em: 15 jun. 2026

Autoatendimento e LAD. BCE/UnB. Disponível em: https://bce.unb.br/autosservico/. Acesso em: 15 jun. 2026

DANTAS, Jefferson Higino. Gestão da informação digital na Biblioteca central da Universidade de Brasília: relato de experiência. Repositório - FEBAB. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/4277. Acesso em: 15 jun. 2026

COELHO, Cybele Villares; WERNECK, Antonio Pinho. Sistema automatizado de controle bibliográfico da Biblioteca Central da UnB- BCE 020 (Simpósio sobre Automação de Serviços Bibliotecários) (Resumo). Repositório - FEBAB. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/3496. Acesso em: 15 jun. 2026
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Entrevista com a Pesquisadora Ana Carolina Simionato Arakaki

 

Brasília-DF
Universidade de Brasília
Entrevistadoras: Ana Luísa, Clara Letícia, Cyntia Carla, Isabele Alves e Karine Amorim

Entrevistada: Ana Carolina Simionato Arakaki

Data da entrevista: 12 de junho de 2025

Ouça a entrevista aqui

Transcrição da entrevista

[Isabele Alves] : Professora e pesquisadora Ana Carolina Simionato Arakaki, muito obrigado por aceitar conversar com a gente!

Ana Carolina é professora de Biblioteconomia na FCI/UnB e docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFSCar. É bacharel em Biblioteconomia e em Tecnologia da Informação, mestre em Ciência da Informação pela UNESP em 2012, doutora pela UNESP em 2015, e realizou pós-doutorado em Computação na USP em 2022. Atuou como Coordenadora de Serviços Bibliográficos no Ibict, com participação em iniciativas de organização, padronização e qualificação de dados e metadados. Atualmente desenvolve e coordena projetos financiados por agências de fomento voltados à publicação, integração e uso qualificado de dados de autoridade e bibliográficos em ambientes digitais. Sua trajetória integra pesquisa, ensino e extensão.

O tema de hoje é automação em bibliotecas. Para começar, vamos à primeira pergunta:

[Isabele Alves] : Como foi sua transição para os sistemas automatizados que são utilizados hoje em dia?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Quando eu me graduei, os sistemas já eram um pouco mais automatizados. Então, quando eu fiz a graduação já existia o catálogo digital e etc, por mais que naquela época a gente ainda trabalhasse com a ficha catalográfica. Também tivemos impactos, porque toda hora o layout muda, a rapidez muda, então algumas coisas que antes precisávamos agora talvez já não precisemos mais, então teve sim uma mudança. Eu sempre lidei com a tecnologia de certa forma, isso desde a graduação, então não tive tanto impacto assim.


[Cyntia Carla] : O papel do bibliotecário como mediador de informação mudou muito com o uso da automação em bibliotecas?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Em grande parte das bibliotecas, se formos pensar antes da automação, o bibliotecário tinha várias atividades que se faziam com um tempo maior. Com a automação, esse tempo com certeza reduziu, mas isso não tira o mérito das práticas em si. Em todo momento, a mediação da informação é feita, seja nos catálogos ou nos serviços de referência. Então, a mediação precisa existir, a questão é que hoje a gente tem outras possibilidades para essa mediação. Eu falo muito isso em sala, tem um artigo que marcou o início das LLMs, principalmente em questão de conversação, que é justamente essa necessidade de atenção, de conversa. Então, essas questões ainda estão em falta, essa necessidade de mediação no quesito de entender as nossas necessidades, o que a máquina ainda não faz, mas creio que todo esse processo em si está evoluindo. O bibliotecário tem que se posicionar perante isso, eu vejo bastante densidade do profissional para se definir com essas novas práticas.

[Karine Amorim] : Como profissional da área, como você vê a interferência que a automação tem no processo de informação?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A automação querendo ou não é uma economia de tempo, porém ao mesmo tempo não tira a necessidade do ser humano e todo o processo, talvez em algum momento futuramente talvez venha a retirar, mas não sabemos. O ponto principal é a economia, seja a de gastos monetários ou de valorização.

[Clara Letícia] : Como docente, com a automação e a autonomia que os estudantes passam a ter por meio dela, qual foi o impacto sentido na forma como eles buscam informação? Você acredita que tenha melhorado ou piorado?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A questão, pelo que eu entendi, é que a gente como docente cada vez mais vai ter que trabalhar com a questão da autonomia e principalmente da consciência do aluno e do usuário, principalmente como profissional da biblioteconomia, eu acho que a gente deveria trabalhar nisso. Pensando nessa questão, nos tornamos um pouco mais preguiçosos. Porque a gente vai, por exemplo, perder tempo no Google pesquisando, sendo que a gente pode ir direto no Chat gpt? Então não tem mais esse tipo de busca, nós não perdemos mais tempo com isso. Então a questão é principalmente essa construção do senso crítico mesmo, de questionar "será que essa informação é confiável?", "será que esse direcionamento é o melhor?”. Então são essas questões que a gente precisa, enquanto docente trabalhar. Tirar proveito dessas tecnologias é inevitável, o que podemos fazer é utilizar da melhor forma possível.

[Ana Luisa] : Que tipo de cursos complementares você realizou recentemente para acompanhar as mudanças tecnológicas? Quais recomendações de cursos faria?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu estou finalizando a graduação de Ciências de Dados, e tenho a graduação já finalizada em Biblioteconomia e Ciência da Informação, mas ao mesmo tempo foi uma escolha por curiosidade. Não quero dizer em momento algum que o bibliotecário tem que ser cientista de dados, nem ir para a área da computação ou área tecnológica, mas se vocês tiverem curiosidade, quero dizer para todos os alunos no geral, vale a pena. Eu acho que deve ter pensamento computacional, sabe? Entender de algoritmo, banco de dados e essas coisas. De verdade, eu sugiro bastante essa formação para entender, por exemplo, em catalogação trabalhamos com modelagem conceitual e como trabalhamos com modelagem conceitual se o aluno não sabe banco de dados ou o mínimo de estrutura, entidade de relacionamento, sabe? Se tivermos um material pedagógico e algumas questões que poderiam estar de alguma forma mais coerentes, isso facilitaria muito a sala de aula. Por exemplo, a FBR como que a gente aplica? Então, eu sugiro pensamento computacional porque tudo é a base de pensamento computacional, a questão de algoritmo e tentar entender como o computador faz as coisas. Pode perceber que eu não estou falando de programação, porque ela vem depois se for uma opção. O básico do pensamento computacional, para entender como as coisas podem funcionar e isso auxilia em alguns processos de lógica, vocabulário e gramática.

[Isabele Alves] : Em que aspectos você vê semelhanças entre sua atual graduação em Computação e a área de Biblioteconomia, principalmente pensando em automação? E em que aspectos você vê diferenças?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : A questão da automação na computação é inevitável. Tudo o que puder reduzir o problema e poder deixar isso muito mais tangível é algo muito da computação. “Eu vou trabalhar em uma base de dados” mas eu preciso estar minimamente higienizada com essa base. Então, porque não automatizar esse processo? Ao invés de ser manual, eu automatizo. Logo, eu vejo bastante essa semelhança com a biblioteconomia, cada vez mais a gente vai precisar dessas questões da automatização. Eu estou com um projeto da FACDF e o que está pegando nesse momento é justamente isso, estamos com três milhões de registros e precisamos de alguma forma higienizar eles antes de colocar na base. E vem essa questão "Dá pra fazer três milhões de registros?" se eu fizer, por exemplo, cem por semana isso vai levar uns trezentos anos, então é inviável e eu preciso aprender algumas sequências para automatizar esse processo. Agora no caso, a grande diferença entre Computação e Ciência da Informação, eu vejo que é a questão de atender as necessidades do usuário. Esse é o ponto principal. Pelo que eu já trabalhei com computação, se o sistema está funcionando ou não, a computação não vai ligar. A ciência da informação vem justamente para isso, para proporcionar a experiência do usuário da melhor forma. Entender a necessidade, o que o usuário está precisando, no que ele pode pensar, no que o sistema pode sugerir. Então, o maior exemplo que eu posso dar para vocês, é a questão do catálogo. O catálogo das bibliotecas da forma que estão hoje não atendem os usuários, que estão cada vez mais tecnológicos. O catálogo, por exemplo, de algumas bibliotecas está todo travado, uma aparência da década de 90. Então, a questão do usuário poderia ser muito mais valorizada dentro da computação, mas que bom que sobra campo para nós podermos trabalhar.

[Isabele Alves] : Ótimo professora. Eu pensei nessa pergunta quando a senhora falou sobre a questão da área de tecnologia e computação no geral, ser uma área mais prática. Então alinhada a biblioteconomia, tem que ter esse cuidado, não é?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Precisa. E no caso as vezes colocamos a biblioteconomia como uma área técnica, mas ela é tudo menos técnica. Ela pode ser técnica em alguns cenários, mas ela precisa olhar para essa abstração, entender a biblioteconomia. A questão epistemológica, das atividades de como gerar a melhor forma de conhecimento, como atender da melhor forma o usuário. Enfim, incrementar cada vez mais, sabe? Então eu vejo muito isso, mais do que a prática somente. Essa questão do raciocínio, de entender e, principalmente, melhorar a área. Essa proatividade, a verdade é essa.

[Ana Luisa] : O que você considera importante na atuação bibliotecária que ainda não pode ser automatizado?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que a relação humana. Toda essa parte de necessidade, o ser humano precisa desse contato e dessa atenção, e não vejo isso com a automatização. Até mesmo porque de alguma forma, essa questão de "Ah vou fazer a mediação" é muito mais gostoso ter alguém te indicando coisas e conversando as melhores possibilidades de trabalho e texto do que a máquina. A máquina vai te indicar algo e pronto acabou, semana que vem você esquece. Mas o ser humano tem essa questão sensorial.

[Karine Amorim] : Qual sua visão para o futuro do processo de automação? Considerando a relação entre Tecnologia e Ciência da Informação, você acredita que, com a Inteligência Artificial (IA) cada vez mais presente, haverá grandes mudanças na atuação bibliotecária?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que na verdade precisa viu gente. A gente precisa ter o cuidado com os nossos acervos, mas ao mesmo tempo com a demanda informacional que temos na maneira digital. Acho que a principal questão, é identificar essas práticas, justamente em campos de automação. Então, enquanto a gente não abranger a questão da tecnologia de outras formas e dos acervos digitais também, a gente vai dar brecha para outras ciências, como a Ciência de Dados para elas de fato se construírem. Então coisas que poderiam ser da nossa área de ciências da informação a gente está deixando que outras Ciências levem. Seja em campos de estudo e áreas de pesquisa. Então, correr atrás para defender a nossa área é importante.


[Clara Letícia] : O que você sugere para os estudantes que estão ou vão se formar conseguirem se manter atualizados e acompanhar as transformações da área?

[Ana Carolina Simionato Arakaki] : Eu acho que a primeira coisa é: ler bastante. Temos diversas fontes de informação dentro da área que poderiam ser mais exploradas pelos alunos. Querendo eu não, acredito que necessidades básicas estão em falta, as questões de leitura, de busca. Às vezes a gente passa um site e o aluno não consegue procurar. Então, porque assim, é uma competência. Eu não consigo, assim como docente, fazer isso. É o despertar do aluno como curiosidade, sabe?

[Isabele Alves] : Bom, foi isso professora. Muito obrigada por ter cedido seu tempo para conversar com a gente. Gostamos muito e foram ótimas respostas. Eu acho que precisamos sim pensar em automação no trabalho e automação com IA porque o futuro está aí e não tem como fugir, mas também sem esquecer o lado social e humano porque essa é a essência da nossa área.
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